A Rádio Vanguarda de Feira

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sábado, 31 de maio de 2014

Guns N' Roses: rara entrevista concedida por Axl à MTV em 1999

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Em 1999, Axl Rose era um artista recluso, não fazia mais shows, não dava mais entrevistas, não lançava mais discos, até que em 1999 ele quebrou o silêncio e concordou em conceder uma entrevista à Kurt Loder, vj da MTV.A entrevista, a princípio, era para ser sobre o novo single da banda, a canção "Oh My God", entretanto, graças a perspicácia de Kurt Loder, ela acabou estendendo-se ao ponto em que Axl se viu no direto de falar também sobre o novo álbum e também a antiga formação.
Axl topou dar a entrevista, desde que fosse realizada via telefone. Boatos da época dão conta de que ele não queria aparecer pessoalmente na MTV, pois ele já estava com uma aparência bem diferente de outrora, o que poderia chocar parte dos fãs, que não viam o Axl há muito tempo.
Pequeno trecho da entrevista em áudio:
http://www.metacafe.com/watch/yt-15vCI0FyXK8/kurt_loder_inte...
Confira abaixo a entrevista completa:
Kurt Loder (MTV): O que você têm feito nestes últimos anos, mais precisamente, desde o final da última tour?
Axl Rose: Tenho tentado descobrir como fazer um novo álbum.
Kurt Loder (MTV): Ah, mas você já fez álbuns antes, já sabe como fazer isso, certo?
Axl Rose: Eu, originalmente, queria fazer um disco tradicional, nos mesmos moldes do “Appetite For Destruction" ou algo assim, pois isso seria muito mais fácil de fazer. Eu estava envolvido em uma série de processos no Guns N' Roses e também na minha vida pessoal, sendo assim, eu não ando tendo muito tempo para tentar desenvolver um novo estilo ou para me reinventar, então eu estava querendo escrever um álbum mais tradicional, calcado no "Appetite Fo Destruction", mas não me permitiram fazer isso.
Kurt Loder (MTV): O que ou quem o impediu de fazer isto?
Axl Rose: Slash.
Kurt Loder (MTV): [Risos] Mas você poderia ter encontrado outro guitarrista, certo?
Axl Rose: Bem, não...pelo menos não para fazer um álbum típico do Guns N' Roses, como o Appetite For Destruction. Por muito tempo, meu radar não encontrou ninguém que pudesse substituir o Slash da maneira correta, ninguém que preenchesse esse perfil para gravar um disco de rock mais tradicional.
Kurt Loder (MTV): Sim, entendo.
Axl Rose: E realmente não era algo que estávamos tentando fazer, em momento algum, sequer passou pela minha cabeça não contar mais com o Slash. Estávamos tentando fazer as coisas funcionarem com Slash por muito, muito tempo, passamos cerca de cerca três anos e meio tentando, mas parecia inviável prosseguir, para ambos.
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Kurt Loder (MTV): Uau. Eita. Isso é uma vergonha, porque vocês pareciam tão unidos. Este novo álbum da banda, o Live Era, é um álbum ao vivo que parece funcionar como uma despedida daquela era de ouro do Guns N' Roses, certo?
Axl Rose: É exatamente isso. É uma despedida daquela era. Era algo que queríamos fazer para dar ao público, este disco é o último adeus daquela banda. Confesso que fazer o disco foi algo muito difícil, todo processo foi complicado, pois era difícil ouvir aquilo e lembrar das pessoas envolvidas naquele disco…não foi a coisa mais agradável de se fazer, emocionalmente falando.
Kurt Loder (MTV): É justo dizer que nós não iremos mais ouvir essas músicas? Este material antigo será descartado?
Axl Rose: Não, não, de jeito nenhum. Pra falar a verdade, eu acabei de terminar de regravar o "Appetite For Destruction" com a nossa nova banda.
Kurt Loder (MTV): Você regravou o ”Appetite For Destruction”? É isso mesmo?
Axl Rose: Sim, eu regravei.
Kurt Loder (MTV): O álbum inteiro?
Axl Rose: Sim.
Kurt Loder (MTV): Ual.
Axl Rose: Bem, com exceção de duas músicas, porque nós substituímos essas duas músicas por ”You Could Be Mine” e ”Patience“ (As duas músicas substituídas foram Anything Goes e You're Crazy) e porque eu tive que fazer isso? Bem, nós teríamos que ensaiar essas músicas de qualquer forma para tocá-las ao vivo em futuro próximo, então, aproveitamos que hoje nós temos um monte de novas técnicas de gravação para regravar o álbum, havia muitas coisas típicas dos anos 80 no álbum, como viradas de bateria ou coisas do tipo, que poderiam ser sutilmente melhoradas, colocando um pouco menos de reverb, reduzindo um pouco o bumbo, e coisas do gênero, e foi isso que fizemos, regravamos o álbum, melhorando algumas coisas, e preservando outras.
Kurt Loder (MTV): Quem são os músicos que regravaram o "Appetite For Destruction"?
Axl Rose: Josh Freese na bateria, Tommy Stinson no baixo, Paul Tobias na guitarra base e Robin Finck na guitarra solo. A guitarra de Robin vai ficar em algumas músicas, mas não em todas. Eu não sei o que vou fazer com ele, exatamente [Nesta época, Robin Finck era um membro temporário, o que Axl queria, na realidade, era contratar, em definitivo, o guitarrista Dave Navarro]. Mas você sabe, ele (Robin Finck) é energético, e, assim como os outros, aprendeeu as músicas antigas e executou-as muito bem. Robin Finck têm me ajudado, inclusive, no processo de composição do novo álbum.
Kurt Loder (MTV): Em algum momento, você pensou em manter o Duff ou Matt Sorum, ou você realmente quis afastar-se de todo mundo da antiga formação? Estava tudo acabado?
Axl Rose: Cada um fez a sua escolha, todos escolheram sair. Todo mundo foi embora por opção própria. Bem, no caso do Matt, ele foi demitido, mas isso porque o Matt chegou em mim, me desafiando e me criticando, e isso, pra mim, significava que ele estava forçando a barra pra ser demitido, e foi o que fiz. Nenhum dos antigos membros estavam tentando descobrir e desenvolver uma maneira de fazer um álbum novo do Guns N' Roses, apenas eu estava, o que me levava a crer que eles não queriam mais estar aqui, não queriam mais pensar em fazer um álbum que fosse agradar à todos nós.
Kurt Loder (MTV): Esta música para o filme “Fim dos dias” ”Oh My God“, é muito, muito diferente de tudo que já ouvimos do Guns N' Roses. O que aconteceu? Seu gosto musical mudou por completo?
Axl Rose: Não, não muito. Basicamente, eu gosto de coisas novas, ouço tudo que é lançado por aí, não me limito à ouvir apenas rock, ouço todas as vertentes. Na verdade, essa foi a grande divergência entre eu e Slash/Duff, eles odiavam tudo de novo que era lançado, só ouviam coisas velhas, e eu não, eu gostava de coisas novas. Eu realmente gostei do movimento de Seattle, o Grunge, aquele movimento foi ótimo, eu gosto de White Zombie, eu gosto de Nine Inch Nails, e eu gosto muito de hip-hop. Eu não odeio tudo, pelo contrário, ouço de tudo, e eu não acho que essas pessoas, dessas bandas, estejam me venerando, apenas porque cheguei ao sucesso antes deles, pelo contrário, eu é que venero o que andam fazendo. Voltando ao assunto, então, uma vez que eu entendi que eu, realmente, não poderia fazer um álbum no estilo antigo do Guns N ‘Roses, e se eu tento levar em consideração o que o Guns fez no “Appetite“, que, ao mesmo tempo em que era um caldeirão de influências de um monte de coisas que estavam acontecendo, também tinha muitas influências de coisas do passado, seguindo esta mentalidade, eu poderia, sim, hoje, fazer o álbum correto, usando minhas influências atuais, você sabe, as coisas que todo mundo está ouvindo, eu também tenho ouvido, não tenho a mente fechada. Então, neste sentido, eu acho que esta música (Oh My God) é como o antigo Guns N ‘Roses, até onde dá, porque assim como no passado, nessa música há um espírito, algo para colocar todas as influências, novas e velhas nela. Se você ouvir o segundo solo de guitarra em ”Oh My God“, Paul Tobias está fazendo algo que lembra muito Izzy Stradlin – algo que o Aerosmith faz muito, colocar um riff, do nada, no meio da canção - e isso é uma coisa completamente diferente de tudo o que está acontecendo agora na música, por isso posso dizer que a música é nova, mas apresenta influências não só novas, como antigas também. Há uma batida de bateria que lembra batidas de discoteca no pós-refrão, na parte mais pesada da música. Nós misturamos um monte de coisas.
Kurt Loder (MTV): Quantas músicas você tem para este novo álbum? Você vêm trabalhando nisso há muito tempo. Existem toneladas de material, certo?
Axl Rose: Nós estamos trabalhando em, aproximadamente, 70 músicas.
Kurt Loder (MTV): Ow!
Axl Rose: O álbum terá de 16 à 18 músicas, nós gravamos pelo menos dois álbuns. Mas estamos trabalhando em muito mais músicas do que isso (mais músicas do que as 16/18 estipuladas), ao mesmo tempo, o que estamos fazendo é explorar, assim, você sabe, você tem uma boa ideia, guarda ela, e então talvez você volte para esta ideia mais tarde, ou talvez você tenha uma boa ideia e você segue em frente, sem olhar para as ideias passadas. Isso é realmente legal, mas isso não é o que estamos procurando. Estamos pensando: "Ok, vamos tentar algo novo, e usar a grana da gravadora apenas no disco".
Kurt Loder (MTV): [risos] Nem sempre é o caso, obviamente.
Axl Rose: Não, e eu não quero estar em uma situação, mais uma vez, onde eu tenha que depender de outras pessoas e ter que começar tudo de novo. Tínhamos um material que nós pensamos que era muito avançado para os fãs antigos do Guns ouvirem, por ser diferente, certamente os fãs não iriam compreender e acabariam odiando, porque estávamos explorando o uso de computadores e coisas do tipo. Todo mundo está dando duro no álbum, mas ainda podemos cavar mais fundo.
Kurt Loder (MTV): Você está envolvido com música de computador agora? Usando recursos eletrônicos? Você está tocando guitarra agora também, certo?
Axl Rose: Um pouco de tudo.
Kurt Loder (MTV): E como está se saindo na guitarra?
Axl Rose: Estou indo bem. Eu só queria virar um guitarrista bom o suficiente para ser capaz de contribuir com o que fosse necessário para o processo criativo do álbum, queria dar ideias e contribuir em algo na parte instrumental (Axl Rose toca guitarra base nas faixas TWAT e Madagascar), isso custou um pouco de tempo, trabalhei duro, e com isso, acho que teremos dois álbuns. Na verdade, eu não te digo que nós, você sabe, que nós gravamos um álbum duplo propositalmente, ou que teremos sobras suficientes para um álbum duplo, pois estamos testando as músicas ainda e não sabemos quais vão para o álbum ou álbuns. Se houverem dois álbuns, haverá uma nítida diferença no som. O segundo álbum conterá mais música eletrônica, com as guitarras atuando de forma secundária. O primeiro álbum será um álbum calcado mais em guitarras mesmo, mais agressivo, mais pesado, e o segundo seria um contraposto disto.
Kurt Loder (MTV): Você acha que é difícil de capturar, com um novo grupo de músicos, o mesmo feeling que o antigo Guns tinha?
Axl Rose: Não. Não, se eu levar em consideração as pessoas que estão envolvidas com a banda agora. Para ser honesto, mesmo antes da antiga banda se separar, já havia muito tempo em que as coisas não eram mais divertidas, e os novos integrantes têm representado pra mim uma grande atmosfera de ar fresco, é como respirar novamente. As pessoas estão realmente entusiasmadas com o que temos até aqui, estamos orgulhosos uns dos outros. Eu não estou tentando colocar os outros caras (Membros da antiga formação) para baixo, não há nada contra eles. É assim, eu acho que o que eles queriam fazer eram outras coisas, cada um queria fazer a sua própria coisa, eles estavam mais interessados em seus projetos do que em tentar descobrir o jeito certo para fazer um novo álbum para o Guns N' Roses. Mas, ao mesmo tempo, o Guns N' Roses já era uma coisa grande. E como você sai disso? Eu não queria sair do Guns N' Roses. É uma coisa muito complicada, acho que foi complicado para todos os envolvidos.
Kurt Loder (MTV): Percebi que no disco ao vivo (Live Era) irá ter uma versão de piano de uma música do Black Sabbath. Como isto foi feito?
Axl Rose: Eu apenas gosto de como It's Alright soa no piano, e gosto da letra, das palavras, e quando eu tocava ela para as pessoas, elas não tinham ideia de que é era uma música do Black Sabbath.
Kurt Loder (MTV): [risos]
Axl Rose: Então, tocar It's Alright era apenas uma espécie de diversão, e, em seguida, a música passou a funcionar como introdução de ”November Rain” ao vivo, e isso só aconteceu porque esta música soou bem na fita, por isso a utilizamos no álbum. Del James trabalhou por alguns anos indo em cada show que fizemos na ”Use Your Illusion Tour”, ele gravava todos os nossos shows em fitas DAT, e depois, ele teve que achar e reencontrar cada fita disponível, além de encontrar pessoas que também haviam registrado os shows, para que, assim, pudéssemos ter um material para ser lançado. Havia um monte de dificuldades quando esses shows foram gravados, algumas faixas não estavam gravadas corretamente nas fitas, algumas não estavam completas, e por isso demorou um longo tempo para descobrir quais faixas, realmente, estariam disponíveis para uso, porque nós não tínhamos, você sabe, dito: "Ok, vamos gravar um disco ao vivo do Guns N' Roses, gravaremos o show tal", as gravações eram variadas, em termos de qualidade, por isso tivemos que regravar algumas coisas, e selecionar faixas de vários shows diferentes.
Kurt Loder (MTV): Quando você ouve essas coisas antigas, que agora já se foram, você pensa: “Uau , isso foi uma grande banda, isso foi um grande momento“, ou você não pensa mais nisso, se tornou um sentimento nublado?
Axl Rose: Para mim, quando eu ouço algumas coisas da Use Your Illusion tour, eu posso sentir e ouvir a banda morrendo. Eu posso ouvir Izzy abandonando-a. Eu posso ouvir que a banda estava inclinando-se em uma direção bem longe daquilo que o Guns N' Roses já tinha sido originalmente. As pessoas podem ter as suas músicas favoritas, e pode ser em ”Use Your Illusion“, mas a maioria das pessoas tendem a inclinar-se para as músicas do “Appetite“, consideram o álbum definitivo do Guns N’ Roses, e eu posso ouvir como, na sonoridade, fomos nos afastando daquele tipo de som. Há tanta coisa que eu seria capaz de ter feito para manter aquele espírito unido.
Kurt Loder (MTV): Você está pensando, agora, sobre como fazer um show? Isto está perto o suficiente para você pensar em como vai apresentar essa nova banda ao vivo, ou isso ainda está em futuro distante?
Axl Rose: De certa maneira. O que estamos fazendo é ensaiar com 3 diferentes guitarristas (Robin Finck, Paul Tobias e quem mais? Axl não revelou o terceiro guitarrista, que provavelmente era o Dave Navarro ou o Buckethead), e ainda estamos gravando. Eu estou fazendo os vocais do álbum novo. Já concluí cerca d 3/4 do caminho, e é um processo muito difícil para mim.
Eu gravo os vocais por último, porque eu queria criar a música primeiro, e deixá-las em um nível em que eu teria que competir com elas. Isso é meio difícil. É como se você tivesse que ir contra esses novos caras, que arrebentam. Quando você finalmente consegue a canção, e ela soa, musicalmente, como você queria, você passa a tentar descobrir como gravá-la de uma forma que seja condizente com o que ela pede, musicalmente falando.
Porque eu escolhi fazer dessa maneira (Gravar os vocais e escrever as canções por último, após todas as canções concluídas)? É que, você sabe, eu posso sentar e escrever poesias até o inferno congelar por completo, e ficar ligado à um determinado conjunto de palavras, mas eu senti que, desta forma, eu iria escrever essas palavras de uma forma datada, e nós realmente não obteríamos a melhor música. ”Oh My God” é um exemplo perfeito disto. Quando, finalmente, finalizamos ”Oh My God”, como ela precisava ser na parte instrumental, eu ouvi a música e encontrei as palavras certas para ela, por isso, agora, prefiro escrever depois. No "Appetite", eu escrevia um monte de palavras em antes das músicas estarem prontas, mas, tipo, ”Oh My God“, escrevi a letra após ela estar totalmente finalizada, encontrei as palavras certas pra escrever aquilo que a música pedia, mas, em um contexto geral, a música foi escrita no modus operandi do “Appetite“. Continuamos desenvolvendo ela até que nós chegássemos ao ponto certo.
Kurt Loder (MTV): Você tem Dave Navarro tocando nesta música. Você sempre foi um fã do jeito dele de tocar?
Axl Rose: Eu sempre fui um fã de Dave Navarro, a tal ponto que, quando nós assinamos contrato (Quando o Guns assinou com a Geffen), eu tinha uma fita demo do Jane’s Addiction, muito antes deles serem contratados, e eu estava, realmente, tentando convencer a gravadora (Universal) a contratá-los, eu dizia “Não, não, não, não, eu sou um merda, o Guns N' Roses é uma bosta. Estes caras do Jane's é que são fodas, contrate-os”, fiz de tudo para que fossem contratados [risos]. Eu estava tentando fazer com que Tom Zutaut, no momento [na Geffen], conseguisse assinar um contrato com o Jane's Addiction, e ele estava realmente em negociações para assinar com a banda. Eu estava, realmente, viciado em Jane's Addiction.
Naquela altura...quando nós lançamos o “Appetite”, ele não se saiu tão bem, a MTV e John Cannelli foi o que realmente nos quebraram. Eu acho que vocês (MTV) tocaram “Welcome to the Jungle” apenas três vezes em 1987[Axl fala com uma voz dramática].
Kurt Loder (MTV): [risos]
Axl Rose: Mas, este clipe foi o que realmente atraiu o público e fez com que se interessassem pelo Guns N' Roses, sendo que havia muito menos interesse para o Jane’s Addiction, nesta época. E agora, atualmente, passados todos esses anos, podemos considerar os Addiction uma das melhores bandas de rock dos últimos tempos. Eles são uma grande banda, eles estavam um pouco à frente de seu tempo. Eu era um grande fã deles, e de Dave.
Dave é um grande guitarrista. É um estilo diferente, é verdade. Não é um guitarrista típico para o Guns N' Roses. Você sabe, não é um blues-man, e a pegada dele não lembra em nada alguma coisa que o Guns já tenha feito, e chamá-lo para "Oh My God" foi justamente para ir de encontro a isso, quebrar este paradigma, experimentar, foi de propósito [risos]. Mas, é importante salientar que mesmo sendo um álbum diferente, o novo álbum ainda terá algumas influências calcadas no blues. Será um disco muito diversificado. Há um monte de batidas eletrônicas e de hip-hop, há um rock bem fundamentado. Com certeza alguém dirá: ”batidas de hip-hop? que porra é essa? o que pretende fazer?”. Bem, olhem o Radiohead, eles utilizam batidas similares às batidas do hip-hop. ”Oh My God” também tem uma batida disco music nela. Eu li um comentário de alguém dizendo isto, sobre ter encontrado batidas de disco music na canção, e isso me fez rir muito. [risos]
Kurt Loder (MTV): Pessoalmente falando, o que têm feito ultimamente? Existe alguma coisa na música de hoje, que você acha que seja melhor do que o Jane’s??
Axl Rose: Eu adorei o novo disco da Fiona Apple.
Kurt Loder (MTV): Sério?
Axl Rose: Você sabe, eu gostei da última música do disco, o que eu quero dizer é que gosto de coisa nova. Quem eu ouço hoje que soa agressivo como o Jane's? Eu acho que a trilha sonora do filme ”End Of Days“ é muito divertida. Limp Bizkit é divertido, é bem legal. O material do White Zombie é divertido. Então é isso que tenho ouvido atualmente.
Kurt Loder (MTV): Você acha que esse novo material do Guns, irá ser feito no estilo do antigo Guns, com influências blues, ou você acha que isso acabou?
Axl Rose: Não, não, eu não acho que qualquer estilo de música acabou, todos os gêneros musicais viverão pra sempre. Quero dizer, olhe quanta coisa está acontecendo, olhe para o Lou Bega, e sua música Mambo No 5, não acho que qualquer estilo irá acabar um dia.
Kurt Loder (MTV): Verdade, têm razão.
Axl Rose: Você poderia encontrar maneiras de misturar todos os tipos de coisas, todos os tipos de estilos musicais, para obter a música certa. Eu, pessoalmente, não acredito que o Slash teve interesse em obter o tipo de música certa para o álbum do Guns N' Roses. Quero dizer, o que as pessoas não sabem é que álbum do Slash’s Snakepit (It’s Five O’ Clock Somewhere)é o álbum do Guns N’ Roses que eu nunca lancei.
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Kurt Loder (MTV): Sério?Axl Rose: Oh, yeah! Duff saiu do projeto, e eu saí também, porque não tínhamos permissão para mexer em nenhuma parte do álbum. Era pra gravarmos como Slash nos apresentou. Ele disse: “Não, você faz isso, é assim que vai ser nosso novo álbum”. E eu não acreditei nisso, não acreditei no material. Havia riffs legais e algumas partes bacanas, mas eu sentia que ainda estavam muito cruas e precisavam ser desenvolvidas. Eu não tinha nenhum problema em trabalhar naquelas músicas, elas não estavam prontas, mas poderíamos ter desenvolvido-as.
Kurt Loder (MTV): Sim, aparentemente sim. Obviamente, você tem trabalhado em toda estas músicas novas durante os últimos seis anos. O que mais você tem feito? Você sai muito? Você vê shows?
Axl Rose: Você sabe...Eu praticamente fico comigo mesmo, e isso é tudo que têm acontecido.
Kurt Loder (MTV): Apenas, tipo, ficar em casa?
Axl Rose:[Risos]Eu só, você sabe, eu estou focado, trabalhando no disco novo. Ele toma muito tempo meu. Eu não sou um tipo de computador, ou uma pessoa técnica nos processos de gravação, tenho me aprimorado e me envolvido com isto todos os dias, e isto toma meu tempo livre.
Kurt Loder (MTV): Você tem um computador em casa? Você fica conectado?
Axl Rose: Sim, eu tenho um estúdio completo, e isso me causa grande dor e prazer e ao mesmo tempo.
Kurt Loder (MTV):[Risos] O que são essas partes dolorosas?
Axl Rose: Assim , você sabe, basicamente a minha inadequação com máquinas modernas.
Kurt Loder: Você vai chamar este álbum de ”Chinese Democracy“. Qual é o significado disto, uma vez que não há democracia chinesa?
Axl Rose: Bem, tem vários movimentos que lutam por uma democracia chinesa, e tem muita gente falando sobre isso, que é algo que será legal de se ver acontecer. Poderia ser também um nome irônico. Eu não sei, eu apenas gosto do jeito que o nome soa.
Kurt Loder (MTV): Quando você acha que vai realmente lançar este álbum? É possível dizer que no início do próximo ano (2000)?
Axl Rose: Nós achamos que sim. Tudo parece estar indo bem. A partida de Robin Finck foi abrupta (Robin Finck havia acabado de voltar ao Nine Inch Nails), repentina, você sabe, eu não esperava naquele momento...
Kurt Loder (MTV): Ele só queria voltar ao Nine Inch Nails, certo?
Axl Rose: Mas, ao mesmo tempo, acabou sendo uma coisa boa. Temos sido capazes de dar um passo adiante nas gravações das guitarras, e não sei se estaríamos adiantados se ele ainda estivesse aqui, não estou sendo rude, nem nada do tipo. Robin fez um ótimo trabalho, mas tenho sido capaz de seguir adiante (Provavelmente, nesta época, Buckethead ou Dave Navarro estavam substituindo o Robin Finck nas gravações). Dave entrou e fez uma coisa grande em ”Oh My God“, e tivemos algumas outras pessoas que chegaram, de modo que foi um revés por um tempo após a saída dele, mas no final foi uma coisa boa, trabalhamos com muita gente boa.
Kurt Loder (MTV): As pessoas que ouvem ”Oh My God“ podem dizer: “Puxa, o novo Guns esta demonstrado nesse som“, mas eu acho que o que você está dizendo é que há um monte de diferentes tipos de sons ali.
Axl Rose: É, um monte de sons diferentes. Há algumas outras músicas muito pesadas que estarão no álbum, há um monte de músicas agressivas, elas apresentam diferentes estilos e sons diferentes. É realmente um caldeirão de influências.
A propósito tenho voltado a ouvir Queen – você sabe, nós ainda estamos esperando para ter Brian May em algumas faixas (As músicas gravadas por May foram Catcher In The Rye e Atlas Shrugged), e eu fiquei feliz, porque hoje recebi um fax dele dizendo que estava vindo para Los Angeles gravar conosco – O Queen é minha banda favorita, eles apresentavam vários tipos de músicas diferentes, de vários estilos, em seus álbuns, e isso é algo que eu gosto muito, essa diversidade. Porque eu ouço um monte de coisas, e eu realmente não gosto de ser rotulado como apenas uma coisa, neste ponto, o Guns N' Roses compartilha um pouco da ideia do Queen, de diversificar o som. Com o ”Appetite“, embora ele aparente apresentar apenas um estilo de som, se você realmente ouvi-lo com atenção, você vai perceber vários influências diferentes nele, de vários estilos.
Kurt Loder (MTV): Você realmente trouxe alguém do hip-hop para trabalhar com você no álbum? Dr. Dre foi chamado, certo?
Axl Rose: Não, ainda não fizemos nada disso. Na verdade, ainda estamos pensando em fazer isto, mas é como se isso fosse fazer com que alguém de fora perdesse o seu tempo. Estamos tentando descobrir como desenvolver esse álbum nós mesmos. Talvez, se já estivéssemos próximos dos processos de masterização ou mixagem, poderíamos chamar mais alguém do tipo para acrescentar algo em alguma música.
Kurt Loder (MTV): Você já pensou em, talvez, tocar com os caras novos na véspera do ano novo? Poderemos ver isto acontecer?
Axl Rose: Na na na [Axl cantarolando, sendo sarcástico]
Kurt Loder (MTV): Não? Nada disso?
Axl Rose: Na na
Kurt Loder (MTV): Por que não?
Axl Rose: na-na-na
Kurt Loder (MTV): [Risos] Poderia ser divertido, não acha?
Axl Rose: [risos]
Kurt Loder (MTV): Onde é que você vai passar a véspera do Ano Novo?
Axl Rose: Não tenho ideia.
Kurt Loder (MTV): Então, vamos vê-lo em algum dia desse ano? Você estará por perto?
Axl Rose: Sim, nós vamos estar por perto. Eu não estou trabalhando em tudo isso para manter esse material enterrado. Estamos pensando em chegar lá e fazer isso direito. Os novos caras são divertidos, e como eu digo, vamos continuar a procurar ou decidir quem é o novo guitarrista oficial, mas não é algo preponderante para a banda neste momento. Definir um novo guitarrista fixo não é necessário no momento. Não há muita coisa para se fazer neste momento no que diz respeito à gravação, como já gravamos a maioria de material, e estamos apenas regravando algumas pequenas coisas.
Kurt Loder (MTV): Mas você continua fazendo testes, certo?
Axl Rose: Sim, nós fazemos. E há algumas pessoas que fizeram um ótimo trabalho. Mas ainda não estamos preparados pra tomar uma decisão sobre isto.
Kurt Loder (MTV): Ok, bem, nós estamos morrendo de vontade de ouvir essas coisas. Eu espero que você lance-as algum dia em breve.
Axl Rose: Entendido cara, até mais.

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