
Antes
da telenovela, os brasileiros costumavam assistir (ou melhor, ouvir) as
rádionovelas. A primeira rádionovela a ir ao ar foi Em Busca da
Felicidade, exibida na Rádio Nacional em 1951.
Com a inauguração
da TV Tupi, primeira emissora do Brasil, em 1950, foram ao ar os
teleteatros. Encenados ao vivo, os teleteatros são também considerados
precursores da telenovela.
O gênero telenovela surgiu no Brasil em 1951. A primeira telenovela foi Sua Vida Me Pertence, exibida na extinta TV Tupi.
Escrita,
dirigida e protagonizada por Walter Forster, Sua Vida Me Pertence
permaneceu no ar de novembro de 1951 a fevereiro de 1952. Como não
existia vídeoteipe na época, os capítulos eram exibidos ao vivo duas
vezes por semana. Foram apenas 15 capítulos.
Sua Vida Me
Pertence foi a primeira novela a exibir um beijo na televisão
brasileira. Mas engana-se quem pensa que foi um beijo ardido e cheio de
luxúria, pois não passou de um simples selinho.
Você sabia que o
ator Lima Duarte trabalhou em Sua Vida Me Pertence? Lima é um dos mais
antigos profissionais da TV brasileira e um dos atores que mais
trabalharam em telenovelas. Atualmente (janeiro de 2010), ele atua em
Araguaia.

A primeira novela exibida diariamente no Brasil foi
2-5499 Ocupado, na antiga TV Excelsior, em 1963. Foi em 2-5499 Ocupado
que os atores Glória Menezes e Tarcísio Meira começaram a formar um dos
pares românticos mais conhecidos da dramaturgia.
A primeira
novela com protagonista negro foi Os Anjos Não tem Cor, de Ribeiro Filho
e com direção de Cassiano Gabus Mendes, exibida pela Tupi em 1953. Os
Anjos Não Tem Cor apresentou o ator Arnaldo Lima como o primeiro negro
protagonista da TV Brasileira.
A primeira gravada em vídeoteipe foi Gabriela, Cravo e Canela, exibida na TV Tupi em 1961.
Já
a primeira com um hora de duração foi Os Miseráveis, produção da
Bandeirantes de 1967. Antes disso, as novelas tinham, no máximo, meia
hora.

Janete Clair escrevia novelas para o rádio antes de
trabalhar como autora de folhetins para a TV. Sua estréia no rádio foi
com Perdão, Meu Filho, escrita em 1956. A estréia na TV ocorreu na
década de 60 com O Acusador e Paixão Proibida.
Para muitos
especialistas em telenovelas, Janete Clair foi uma das maiores autoras
do gênero. E não sem motive! Tramas como Irmãos Coragem e Selva de Pedra
tiveram finais com quase 100% de audiência – algo impossível nos dias
atuais.
Você sabia que Janete Clair foi casada com o também novelista Dias Gomes, autor de O Bem-Amado e Saramandaia?
A primeira novela em cores foi O Bem Amado, exibida pela Globo em 1973.
Outro
detalhe sobre O Bem Amado: a produção com os inesquecíveis personagens
Zeca Diabo e Odorico Paraguaçu foi a primeira novela brasileira a ser
exibida no exterior.
Considerada um marco na história da
teledramaturgia, O Direito de Nascer (1964) teve o final exibido ao vivo
no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro.
Irmãos Coragem foi, ao
lado de Redenção, Os Imigrantes e O Machão, uma das novelas mais longas
da TV brasileira. A trama levou um ano para sair de cartaz.
Exibida
em 1976 pela Rede Globo, A Escrava Isaura foi a novela com o maior
número de reproduções: cinco. Foi também a novela brasileira de maior
sucesso no exterior. A Escrava Isaura foi vendida para 80 países.

O
sucesso de A Escrava Isaura na China foi tão grande que a atriz Lucélia
Santos, que interpretava a protagonista, virou ídolo por lá. Lucélia
viajou diversas vezes para a China, chegando a trabalhar em produções
conjuntas entre Brasil e China.
Por falar em Escrava Isaura, ela
foi uma das novelas baseadas em clássicos da literatura brasileira
exibidas pela Globo na década de 1970. Foi com essas novelas que a
emissora inaugurou o horário das seis. Entre elas estão: Helena,
Senhora, A Moreninha, O Noviço, O Feijão e o Sonho, Olhais os Lírios do
Campo, Memórias de Amor (inspirada em O Ateneu, de Raul Pompéia) e a
própria Escrava Isaura.
Protagonizada por Regina Duarte, José
Wilker e Lima Duarte e exibida em 1985, a novela Roque Santeiro é até
hoje um dos maiores sucessos da teledramaturgia brasileira. O que pouca
gente lembra é que Roque Santeiro foi proibida pela censura em 1975 e
sem nenhum folhetim pronto para substituí-la, a Globo foi obrigada a
exibir uma reprise de Selva de Pedra.
Exibida em 1988/89 e com
autoria de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, Vale Tudo
fez o Brasil inteiro perguntar quem matou a megera Odete Roitman. A
curiosidade e expectativas eram tamanhas que a Globo gravou cinco finais
diferentes, só levando um ao ar.
Outros personagens
misteriosamente assassinatos em novelas foram Lineu Vasconcelos
(Celebridade), Barão de Sobral (Força de Um Desejo), Miguel Fragonard
(Água Viva), Salomão Hayala (O Astro), Silvia (O Rebu), Max (Cavalo de
Aço), Nívea (Assim na Terra Como no Céu) e Luciano (Véu de Noiva). As
novelas A Próxima Vítima e Passione tiveram vários personagens mortos
por serial killers.
O que aconteceu em Torre de Babel, de autoria
de Silvio de Abreu, foi uma carnificina. A explosão de um shopping
center provocou a morte de quase metade do elenco. Outra trama cujos
personagens foram dizimados foi Anastácia, a Mulher Sem Destino. Para
dar uma reviravolta na história e aumentar a audiência, a autora Janete
Clair apelou para um terremoto.

Devido ao enorme sucesso,
diversas novelas tiveram uma segunda versão exibida décadas depois da
trama original. Alguns exemplos: Irmãos Coragem, Selva de Pedra, Escrava
Isaura, Mulheres de Areia, O Profeta, Cabocla, Anjo Mau, A Viagem,
Sinhá Moça, Pecado Capital, Ciranda de Pedra, Lua Cheia de Amor (segunda
versão de Dona Xepa), Paraíso e, mais recentemente (em 2010) Ti Ti Ti.

O
escritor baiano Jorge Amado foi um dos autores com maior número de
adaptações para a TV. Muitos livros de sua autoria se transformaram em
minisséries e telenovelas. Alguns exemplos: Gabriela, Tenda dos
Milagres, Terras do Sem-Fim, Teresa Batista, Mar Morto (adaptado como
Porto dos Milagres) e Tieta.
Uma das primeiras novelas mexicanas
exibidas no Brasil foi Os Ricos Também Choram, exibida pelo SBT
pouquíssimo tempo depois de ser aberta pelo empresário e apresentador
Silvio Santos. Os Ricos Também Choram teve cerca de 300 capítulos. Uma
observação: na época (início dos anos 80), e emissora chamava-se TVS.
A
Globo foi a emissora que mais inseriu merchandising social em suas
tramas. Elas costumam abordar temas como dependência química,
deficiência física, respeito às pessoas com Síndrome de Down,
transplante de órgãos, entre outros. Uma das novelas que abordou o
problema da depedência química, por exemplo, foi Passione, de Silvio de
Abreu, exibida em 2010.
Os personagens do seriado Shazam, Xerife
& Cia, sucesso infantil dos anos 1970, surgiram na novela O Primeiro
Amor, exibida pela TV Globo em 1972. Interpretados por Paulo José e
Flávio Migliaccio, Shazam e Xerife viajavam pelo Brasil afora à procura
de uma peça que os possibilitaria construir uma bicicleta voadora.
Criado
como personagem da novela Elas Por Elas, de 1982, o personagem Mário
Fofoca foi outro que acabou ganhando autonomia. O sucesso junto aos
telespectadores de Mário Fofoca foi tamanho que o personagem
interpretado por Luís Gustavo protagonizou As Aventuras de Mário Fofoca.
Idealizada
por Dias Gomes, a série O Bem-Amado foi exibida no início dos anos 80
como uma continuação da novela de mesmo nome dos 70. Esta, por sua vez,
foi uma adaptação da peça O Bem-Amado, de autoria do próprio Dias Gomes.
Tanto a peça, quanto a novela e o seriado foram muito bem recebidos
pelos público. Os personagens Odorico Paraguaçu e Zeca Diabo marcaram a
história da TV e a dos atores Paulo Gracindo e Lima Duarte.
Dias
Gomes ficou conhecido pelo realismo fantástico e pelos personagens
bizarros das suas tramas. A novela Saramandaia (de 1976), por exemplo
tinha um personagem que virava lobisomen, outro que espelia formigas
pelo nariz e outro que provocava combustão nos objetos sempre que ficava
excitado. Isso sem contar Dona Redonda, personagem que explodiu de
tanto comer. Diante deles, o mocinho João Gibão até que parecia normal
(ele possuia asas).
A primeira trilha de novela foi a de Véu de
Noiva (1970), lançada pela gravadora Philips em parceria com a Rede
Globo. A primeira com músicas estrangeiras foi a de O Cafona, lançada em
1971.
A gravadora Som Livre foi criada pelas Organizações Globo
em 1971, justamente para lançar as trilhas das novelas da TV Globo. O
Cafona foi a primeira telenovela a ter a trilha sonora produzida pela
Som Livre.
A Som Livre lança, no mínimo, duas trilhas por
novelas. Em alguns casos, são lançados três trilhas, como ocorreu como
Belíssima, Roque Santeiro e América.
Vários atores gravaram
músicas para trilhas de novelas. Aconteceu com Cláudio Cavalcanti na
novela Irmãos Coragem (a música era Menina); Marília Pêra, em O Cafona
(música: Shirley Sexy); Sandra Bréa, em Corrida do Ouro (Nem Pensar);
Sônia Braga, em Saramandaia (Sou o Estopim); e Glória Pires, em As Três
Marias (Coração).
Rita Lee foi, sem sombra de dúvida, um dos
cantores/compositores que mais tiveram músicas em trilhas e aberturas de
novelas globais. Suas músicas foram tocadas nas aberturas de O Pulo do
Gato, Chega Mais, Baila Comigo e outras.
Dancin’ Days, de
Gilberto Braga, inspirou-se na onda disco que tomou o mundo na segunda
metade da década de 70. A trilha sonora internacional era recheada de
músicas da Disco Music - inclusive do grupo Bee Gees, grande sucesso na
época.
Ainda sobre Dancin’ Days: ela lançou o modismo das meias
luréx e ajudou nas vendas da boneca Pepa, brinquedo favorito da
personagem Carminha.
As meias luréx foi apenas um dos modismos a
conquistar o Brasil graças à influência das telenovelas. Os turbantes e
faixas da viúva Porcina, de Roque Santeiro, foi outro modismo que marcou
a época. Podemos citar também os palitos para prender os cabelos
femininos em Vale Tudo, as saias de Darlene em Celebridade e a saia de
cintura alta de Renatinha em Viver a Vida.
Algumas novelas
apresentaram produtos que acabaram sendo lançados no mercado. É o caso
do batom Boka Loka em Ti Ti Ti e do perfume Vereda Tropical, na novela
do mesmo nome. Houve também o caso da cachaça Saramandaia, lançada na
mesma época da novela.
O primeiro casal gay foi interpretado
pelos atores Buza Ferraz e Ziebimski na novela O Rebu, exibida pela
Globo entre 1974 e 1975.
Você sabia que o ator Sérgio Cardoso
morreu de repente durante as gravações de O Primeiro Amor, em 1972?
Sérgio teve que ser substituído às pressas por Leonardo Villar. Outro
caso que ficou na memória foi a morte inesperada de Jardel Filho no meio
da novela Sol de Verão, de 1982. Nesse caso, não houve substituições e
a trama acabou sendo encurtada.